Queixe-se, sofra e faça sofrer!

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Num dos seus livros, o autor Eckhart Tolle procura decifrar a diferença ente a queixa e a solução de problemas.

Ele afirma que queixar-se é uma das formas mais comuns de nos defendermos contra nossa incapacidade de sermos conscientes de nós mesmos, de nos livrarmos de nossas angústias, e, ao mesmo tempo, de alimentarmos nosso Ego culpando o mundo externo por nossos problemas e angústias.

Toda reclamação ou queixa tem o caráter de se transformar numa pequena história na qual passamos a acreditar, e assim, acreditando nessa história, por mais absurda que possa ser, amenizamos nossa angústia na medida que enganamos nosso cérebro e nossa mente com nossa própria versão dessa história, que, na maioria das vezes, coloca um outro como o vilão principal.

Assim, de acordo com nossa história, elegemos atores, do mundo real ou mental, para interpretar determinados papeis (aqueles que não queremos interpretar, porque queremos ser o mocinho da história e não o vilão), e passamos a atribuir rótulos aos outros, que devem passar a, em nosso filme mental, interpretar os papeis que lhes atribuímos. É assim que rotulamos as outras pessoas.

Dessa forma começamos a dizer para os outros como são acomodados, chatos, ranzinzas, preguiçosos, como não fazem nada certo, como são maus e desorganizados, como lhes falta caráter e tantos outros adjetivos depreciativos. Não bastasse, passamos também a falar sobre esses adjetivos à outras pessoas, principalmente se esse nosso ator eleito estiver ausente, ou seja, fazemos uma fofoca na tentativa que a sociedade nos ajude a fazê-lo aceitar o papel que lhe atribuímos.

Se isso ainda for pouco, passamos então a criar algumas pequenas confusões, a fim de que o outro reaja da forma que queremos que ele reaja. Quando chegamos no limite ou quando percebemos que essa pessoa não está interpretando o papel que lhe atribuímos, passamos a xinga-la numa tentativa de triunfamos sobre ela: seu desgraçado, você é um idiota, seu burro, e tantos outros adjetivos depreciativos que podemos criar..

Quando isso não basta, então precisamos gritar para que todos escutem, numa tentativa de que o outro reaja, e então, felizes, comprovamos que ele começa a agir como desejamos, ou seja, enfim, ele está interpretando o papel segundo o script escrito em nossa mente, está cumprindo com o papel que lhe demos.

Quando nada disso funciona, ou seja, quando o ator que elegemos se nega a atuar da forma que desejamos e necessitamos, vem a mágoa e o ressentimento. Você já se sentiu ressentido em relação à outra pessoa? Verifique que, na maioria das vezes, você se ressentiu porque ela não correspondeu ao que você queria, ou porque você é quem está se negando a proceder da forma que a outra pessoa desejava, e ela fez com você tudo isso que dissemos.

Pois bem, agora já podemos entender que os problemas que temos na relação com outras pessoas, na grande maioria das vezes, não é mais que um fantasma que criamos para não sofrer atuando em nosso teatro mental. Se jogamos no outro nossas frustrações, nosso Ego se livra de ser o culpado pelo próprio sofrimento.

Não é fácil, mas é possível mudar esse padrão de funcionamento para obter mais saúde física, emocional e relacional.

É simples: em vez de reclamar e dar chances à sua mente de criar uma história para outras pessoas interpretarem, simplesmente aponte o problema e a solução para aquilo que lhe incomoda e encerre a questão.

O autor citado dá um exemplo muito feliz. Você vai ao restaurante tomar uma sopa. A sopa vem numa temperatura mais fria do que a que você esperava. O que você faz?

OPÇÃO 1: Garçom, como se atreve a servir uma sopa fria, num restaurante de requinte como esse? Isso é inadmissível, e bla bla bla, bla bla bla.

OPÇÃO 2: Garçom, a sopa está fria, pode por gentileza solicitar à cozinha que providencie o aquecimento?

Qual a diferença?

Na opção 1, você deixa de lidar com os fatos, e passa a lidar com suas fantasias sobre o que devia ou não devia estar acontecendo. Faz julgamentos, juízos, e se chateia. Acha que tudo deveria ter acontecido conforme seus desejos. Se torna uma criança mimada e birrenta, e começa a reclamação.

Na opção 2, você simplesmente aponta o problema e a solução. Não faz juízo de quem errou, onde e por que. Não vira uma criança birrenta e mimada, não se chateia, não chateia ninguém, tem o problema resolvido sem maiores consumos de energia à toa.

Portanto, se você deseja parar de se tornar uma criança mimada e passar agir como uma pessoa amadurecida, deixe de reclamar e procurar culpados. Pare de fazer juízos segundo seus desejos e necessidades. Deixe de querer que as pessoas sejam atores da historinha que você escreveu para se livrar de seus problemas. Passe a agir com os fatos, encontre o problema e aponte a solução ou soluções possiveis. Resolva ser feliz mais do que ter razão e seja você o ator principal do filme da sua vida..

Assim, com essa prática simples, você pode assumir o controle de sua vida, e parar de perturbar a vida dos outros. Será mais feliz e saudável, e provavelmente as pessoas terão prazer com sua presença.

Se os outros agissem assim com você, você gostaria?

(livro de referância: Eckhart Tolle – Um Novo Mundo: O despertar de uma nova consciência. Ed. Sextante)

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Sucesso e paz.
Varekai (onde quer que seja)
Roberte Metring – CRP 03/12745

Não me peça explicações, não as tenho. Eu simplesmente aconteço.
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